A PROBABILIDADE E A ESPERANÇA
Eu só acredito nas coincidências: e por acaso não foi uma simples coincidência o início de tudo? Há coincidência maior que o Big Bang? Que o surgimento da Terra? Uma nuvem de gases que se solidifica e no final das contas surgem os seres humanos: um monte de matéria que tem consciência da própria existência! Quais as probabilidades? Uma em um milhão? Uma em um trilhão?? Ora, não existe tal coisa! A chance é de uma e ponto final. A chance só precisa existir para que aconteça. Não podem existir pré-requisitos no Universo simplesmente porque do contrário o mesmo não existiria! Qual o pré-requisito para a existência da Existência?
No princípio de tudo só pode haver a Ação – ou movimento, segundo Platão. Do contrário nada teria começado a existir. Ou seja: as coisas simplesmente acontecem. O Universo não é regido pela lógica matemática, desculpe Descartes. Partindo deste princípio todas as probabilidades são absolutamente inúteis!
E se uma chance é tudo que é preciso, não teríamos aí a base para este sentimento tão intrínseco, tão indissociável do ser humano que é a Esperança? Este sentimento que tantos afirmaram e afirmam ser o que move o espírito humano. Ora, talvez Platão tenha se equivocado ao afirmar que a alma move a si mesma: talvez o princípio do movimento seja a esperança. Afinal, nada mais natural que a que primeiro existiu, seja a última a morrer.
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